Em minhas andanças pelas redes sociais (aka Facebook e Twitter), acabei me deparando com um texto sobre o desinteresse dos jovens nascidos entre 1981 e 2000 por carros. Segundo o artigo, originalmente publicado no The New York Times, uma pesquisa encomendada pela General Motors mostrou que os jovens de 18 a 24 anos se interessam cada vez menos por carros, tido na visão deles como causadores de doenças respiratórias, congestionamentos e baixa qualidade de vida nos centros urbanos. O autor do artigo, por fim, enaltece as iniciativas para reduzir a suposta dependência da sociedade do carro e o trata como um ‘vilão’ que rouba espaço na cidade e polui o meio ambiente.

Sobre carros, meio ambiente, mentiras e transporte coletivo

Automóvel: a mais importante invenção do século XIX

Mas que artigo mais besta. Desconsidera toda a importância do carro como mola propulsora do desenvolvimento humano no século XX, reduzindo-o a ‘uma caixa metálica que polui e desagrega’. Santo Cristo, é muita ingratidão desse pessoal para com a mais revolucionária invenção do século XIX. Queria só saber como teria sido a vida dessa criatura se ela nunca tivesse entrado em contato com um carro.

Estou ficando cada vez mais cansado dessa perseguição besta ao automóvel, usado como bode expiatório para todas as mazelas da Terra, da poluição às guerras. Claro que ele deve evoluir para ser mais amigável ao planeta e poluir menos, mas tentar extirpar ele das nossas vidas é impossível, é um reducionismo barato de ecochatos que não enxergam o mundo real como ele é e ficam fantasiando cidades utópicas onde todo mundo anda de bicicleta, feliz e fagueiro. Sei.

E se esse pessoal mais novinho está mesmo desinteressado por carros, azar o deles. Que fiquem zanzando com suas caras enfiadas em smartphones para cima e para baixo, enfiados no transporte coletivo deficiente de 70% das cidades do mundo, enquanto se distanciam cada dia do mundo real para ‘interagir’ no mundo virtual e mergulhar de cabeça no sofativismo (oh, que contradição – qual tecnologia é desagregadora mesmo?)

Chamam o carro de símbolo do capitalismo. E daí? Qual o grande crime nisso? Se nem nos países da Cortina de Ferro a população prescindiu deles, por que querem nos obrigar a retroceder um século e começar a andar de bicicleta ou transportados que nem gado num ônibus/metrô/trem/lotação? Cada meio de transporte, quando bem planejado, funciona melhor em determinada realidade: Los Angeles só funciona com carros; Londres se dá muito bem com metrô; em Pequim, as bicicletas comandam. Isso serve só para ilustrar o quanto a discussão sobre mobilidade urbana está distorcida, com grupos pequenos mas cada vez mais barulhentos, elegendo o automóvel o grande culpado pelo travamento do trânsito das cidades (esquecendo, convenientemente, que muitos chefes de executivo municipais não tem qualquer planejamento para lidar com o crescimento das cidades, obrigando a população a se virar em vias cada vez mais apertadas e insuficientes).

Não à vilanização dos carros

Enquanto eu for vivo, lutarei para que essa vilanização do automóvel seja combatida veementemente. Não é restringindo seu uso e fazendo campanha para que cada motorista praticamente sinta vergonha de dirigir que a mobilidade urbana melhorará. O carro é a grande plataforma e porta-voz da liberdade humana jamais conhecida pelo homem. Que outra máquina, usando o mínimo de habilidade para operá-la, pode te levar do ponto A ao ponto B de forma tão confortável, segura, rápida (quando possível), acompanhado de seus melhores amigos e porque não, prazerosa? Se inventaram, me avisem porque desconheço.

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