Outra ciclista perdeu a vida na mais importante avenida do Brasil, a avenida Paulista. A bióloga Juliana Dias morreu atropelada depois de discutir com um motorista de ônibus e após isso, desequilibrar-se e ser colhida por outro ônibus, no dia 2 de março de 2012. Esse terrível acidente poderia ser tratado apenas como um incremento às escandalosas estatísticas de acidentes de trânsito no Brasil, mas geraram revolta em toda a sociedade, especialmente ao adeptos das bicicletas, os bikers. Além de enquadrar o motorista responsável pela morte de Juliana, esse fato reabre a discussão sobre como deveria ser a convivência entre carros, ônibus, ciclistas e pedestres no trânsito.

Bicicletas, ônibus e carros: Cadê o respeito?

Bicicletas são a solução definitiva?

É fato que algo deve ser feito em relação ao trânsito nas grandes cidades. Notadamente no caso de São Paulo, temos visto muitas notícias saídas na mídia sobre os incentivos e investimentos da Prefeitura no transporte através de bicicletas. Para pequenas e médias distâncias, é uma solução das mais interessantes, talvez a melhor. Mas numa cidade da categoria de uma metrópole, existem várias ressalvas, boa parte de responsabilidade do poder público. Algumas delas:

  • Falta de ciclovias: sem planejamento e sem espaço para construir novas ciclovias, tem-se apelado para ciclofaixas, que nada mais são que faixas de rolamento tomadas das avenidas para apertar, no mesmo espaço, carros, ônibus, motos e bicicletas.
  • Falta de segurança: muita gente apela para o transporte motorizado individual (carro, moto) pelo medo de se expor numa bicicleta, evidentemente mais lenta e alvo de assaltantes. Como a insegurança é algo generalizado no Brasil, sair de bicicleta em certos lugares e horários é pedir para ser roubado.
  • Clima: essa é uma variável contra a qual é difícil lidar. A depender da distância a ser percorrida, o sujeito pode ser obrigado a pedalar até horas debaixo do sol tropical para chegar ao seu destino. Sem contar com a chuva e outras intempéries, que não tem hora marcada para acontecer.

Ao contrário do que pregam os mais radicais, a bicicleta é sim um vetor importante para solucionar o problema da mobilidade urbana, mas nunca deve ser considerada a única solução. A saída, como qualquer pessoa está cansada de ouvir, é investir maciçamente em transporte público de qualidade, sejam eles ônibus, trem, metrô ou bonde. E quando falamos em qualidade, isso inclui veículos confortáveis, pontuais, sem lotação e rotas abrangendo todos os bairros das cidades.

Carros vilões: o equívoco

Por outro lado, é necessário acabar com essa demonização do automóvel, promovido por algumas organizações. Uma das maiores invenções da humanidade ainda tem seu espaço e seu lugar na nossa vida, apesar do mau uso promovido por muitos motoristas. O dito ‘excesso de carros’ é uma falácia propalada pela mídia e reverbera no cidadão comum, que elegeu o carro como bode expiatório de todos os males do trânsito mundial. Planejamento urbano e educação são os dois pilares principais nos quais o crescimento das cidades deve ser orientado, sempre.

E o principal, num ambiente onde existem tantos elementos de tamanhos diferentes convivendo no mesmo espaço como é o trânsito: respeito. Aquela velha máxima ensinada na auto-escola, de que o maior deve sempre zelar pelo menor, deve ser posta em prática o mais urgente possível. Ou então, teremos mais Julianas Dias perdendo a vida nas ruas das cidades brasileiras.

1 comentário

  1. Giovanna
    01/05/2013 às 2:51 am [+]

    Liliane diz:Tenho uma filha de 11 anos e ela anda normal, mas tem dilifucdade motora para pedalar, gostaria de achar um triciclo que fosse adequado ao seu tamanho, ela pesa 34Kg e tem 1.40 m.Grata. Liliane