Em 25 de janeiro de 2012 entrou em vigor no estado de São Paulo, um lei proibindo os supermercados de todo o estado de fornecer de graça sacolas plásticas para consumidor suas compras. Desde então, as pessoas devem pagar pelas sacolinhas ou teriam que utilizar caixas de papelão, carrinhos de feira ou sacolas retornáveis (ecobags) para transportar as compras. À primeira vista uma atitude louvável em prol da sustentabilidade e futuro da Terra, tudo isso não passa de um teatro institucional, onde quem perde (sempre) é o consumidor.

A sustentabilidade da falácia das sacolas plásticas

O discurso contra as sacolas, principalmente aquelas de supermercado, gira em torno de sua origem (é feita com derivados de petróleo) e mal uso, quando descartadas de forma inadequada. Quando ocorrem enchentes, o acúmulo delas podem tapar bueiros e quando depositadas em mananciais de águas, podem sufocar peixes e outros animais.

Sacolas plásticas: bode expiatório ambiental

Mas a questão vai muto além disso. Se as autoridades, de todas as esferas, levassem o problema do descarte das sacolas (e por tabela, do lixo doméstico como um todo) bem mais a sério, não escolheriam as sacolas como bode expiatório de uma política de sustentabilidade só para inglês ver. É certo que o consumo de sacolas plásticas é muito alto no Brasil (na casa dos bilhões por ano), mas simplesmente podar essa a comodidade e higiene trazida pela modernidade numa canetada e sem deixar muita margem para as pessoas discutirem uma mudança de postura tão radical, não é das atitudes mais dignas de elogio.

Ecobags e caixas de papelão: apenas paliativos

As soluções propostas também estão longe de se equipararem à praticidade das sacolas. As ecobags retornáveis, além de seu custo, não são tão práticas assim, pois você teria que andar o tempo todo com uma, mesmo quando for fazer uma compra por impulso ou emergencial. Caixas de papelão não são higiênicas e são péssimas de manusear. Carrinhos são práticos, mas esbarram nas suas limitações de espaço, com o adendo de não poderem sequer serem dobrados e colocados na bolsa ou mochila. Por fim, tem as sacolas plásticas biodegradáveis, com tempo de decomposição muito mais curto do que as sacolas tradicionais, mas de custo bem alto, coisa que as grandes redes de supermercados não querem nem saber.

A escolha da sacola plástica como vilã do meio ambiente em muitos lugares não é mero acaso. É a parte mais visível do consumismo exagerado do tempos modernos, mas seria muito mais efetivo ações de educação para que a população aprendesse a descartar as sacolas plásticas corretamente (coisa que já acontece em parte, quando as usamos como sacos de lixo domésticos) do que simplesmente proibi-las. E tem também um componente forte de hipocrisia nessa história toda. Quase todos os artigos comprados por nós no comércio é embalado em algum tipo de plástico (isopor, inclusive), mas ninguém nunca pensou em bani-los. Com a proibição das sacolas plásticas, os supermercados passaram a cobrar por elas, repassando para o consumidor um custo que era deles e já estava embutido no preço da mercadorias. Adivinha se os preços cairão por conta disso?

A bem da verdade, essa atitude de proibir o fornecimento gratuito de sacolas e cobrar pelo uso delas é uma grande falácia, que só beneficia grandes redes de supermercados e políticos interessados em obter ganhos políticos com uma lei que supostamente beneficia o meio ambiente, mas que causa grandes transtornos à população. Esperem só para ver.

5 comentários

  1. Gladis Franck da Cunha
    31/01/2012 às 10:42 am [+]

    Olá Ricardo,

    Desde 2008 não utilizo as sacolas dos mercados e farmácias e levo as minhas.

    Em supermercados com estacionamento é possível deixar os itens diretamente no carinho e colocar em sacolas que sempre carrego no porta-malas.

    Um bom presente que ganhei foi uma sacola retornável de nylon que foi comprada em Paris por familiares. Ela é grande, mas ocupa um espaço mínimo na bolsa. Ontem enquanto eu coloquei todos os produtos nesta sacola a moça que estava na minha frente utilizou 9 sacolas do supermercado, pois elas são frágeis e para resistirem ao transporte poucos itens são acondicionados em cada uma.

    O volume de lixo gerado pelo “conforto” da vida contemporânea é absurdo. Temos que fazer algo contra e tomar atitudes mais conscientes para redução dos resíduos.

    Assim, acho ótimas as medidas tomadas no Estado de São Paulo e desejo que se alastrem pelo país, pois para não ter que pagar pelas sacolas, um número crescente de pessoas passarão a utilizar suas próprias sacolas retornáveis, como ocorre na Europa.

    []s

  2. VaNDReH
    02/02/2012 às 1:24 pm [+]

    Excelente lei, pena que deveria ser aplicada em todos os estados Brasileiros, assim incentivaria a produção de sacolas constituídas de celulose, um açúcar simples de alta resistência e biodegradável!!!

  3. Mau
    04/02/2012 às 12:52 pm [+]

    Sou a favor da substituição de todas sacolas de plástico comum, bem como os sacos para lixo por plásticos biodegradáveis e não a sua simples e pura extinção.

    Infelizmente vivemos sob os governos fascistas de SP, e aqui tudo é na base da porrada e da simples proibição. O povo merece! Viva os ignorantes de SP!!!!!

    Enquanto isso menos de 10% do lixo é adequadamente reciclado…

  4. Rogerio
    04/02/2012 às 7:44 pm [+]

    Eu concordo com o Ricardo,essa e a nossa realidade, o uso das sacolas nao foi proibido, o que esta proibido e a sua gratuidade, se o consumidor quiser pagar por elas pode continuar usando.
    Isso posto, penso que as pessoas que apoiam tais medidas ditatoriais deveria morar em paises com esse regime, e nao deveriam uasar sacos de lixo, nem comprar qualquer mercadoria que tenha a embalagem de plastico, nao deveria ir as compras com automovel com motor a combustão de derivados de petroleo, nem as roupas que tambem tem derivados de petroleo

  5. Rogerio
    04/02/2012 às 7:52 pm [+]

    nem deveria usar energia eletrica, pois as usinas destroem as matas quando formam o lago, e estamos usando muita energia, precisamos de mais hidreletricas, se nao consumisemos tanto petroleo, nao precizariamos atacar o pre-sal, que ja começou a ter vazamentos, em breve teremos nosso litoral inundado de petroleom pois nosso pais nao tem tecnologia para conter vazamentos, enfim sao tantas coisas erradas que fazemos com a natureza que estas sacolinhas representao um grao de areia no saara.