Enfim, cercado por uma grande expectativa e contando com uma campanha massiva de publicidade na Rede Globo,o programa Encontro com Fátima Bernardes está no ar nas manhãs do canal, de segunda a sexta. A ex-âncora do Jornal Nacional, com quem dividiu a bancada com o apresentador e marido William Bonner, completa assim a mudança na grade matutina da Rede Globo. Antes totalmente dedicada ao público infantil, quando reinou a Xuxa e vários desenhos animados marcantes, hoje o horário é voltado ao público familiar, especificamente donas de casa, com o programa da Ana Maria Braga (Mais Você), o programa de saúde Bem Estar e agora com o Encontro com Fátima Bernardes. Mas até que ponto vale a pena trocar Bob Esponja e companhia por um programa que se mostrou, em suas primeiras edições, mais do mesmo do que tem nas outras emissoras, abrilhantado apenas pelo verniz da presença de convidados globais e pelo tal padrão Globo de qualidade?

Encontro com Fátima Bernardes: Qual é a do programa?

Fátima Bernardes: do Jornal Nacional para um programa de auditório

Desde que passou o bastão para Patrícia Poeta no comando do Jornal Nacional, a expectativa do público foi alimentada por longos meses entre a definição do estilo do programa, cenários, dinâmica das atrações e dos debates e mais os intermináveis pormenores que cercam a produção de um programa de televisão. E como não poderia deixar de ser, o povo também queria ver como se sairia Fátima Bernardes fora do contexto hermético de um telejornal, no comando de uma atração de viés mais descontraído, emulando um típico bate-papo entre amigos tergiversando sobre os mais variados assuntos.

Embora o IBOPE indique um bom começo no quesito audiência, é de se pensar sobre o que acrescenta o Encontro com Fátima Bernardes, em comparação até mesmo com os programas voltados ao público feminino da emissora, como o Mais Você e o Bem Estar. Tem-se a nítida impressão que qualquer entrevista ou história contada no estúdio do programa Encontro poderia muito bem ser realizada em um dois programas que o antecedem, dependendo do tema.

Outros detalhes não ajudam. Chamou bastante atenção o insosso e escuro cenário, surpreendendo quem esperava ver, num programa matinal, cores brilhantes e uma luz condizente com o horário. Fica-se com a impressão de que o programa foi gravado à noite e está sendo exibido em reprise, o que certamente joga contra a proposta do programa. Nesse aspecto técnico, até a luz do Altas Horas, que vai ao ar nas madrugadas de sábado para domingo, é mais bem resolvida. Resumindo: na tela, o programa da Fátima Bernardes ficou muito escuro, algo que nem os elementos de cenário como as cadeiras e a platéia ajuda a amenizar.

Como fazer a Fátima bombar?

Apesar destes percalços e da dura concorrência, tanto interna como o de outras atrações do horário (especialmente o Hoje em Dia, da Record), o Encontro com Fátima Bernardes tem seus pontos positivos, com boas chances de se tornar um excelente produto para a Rede Globo. Basta deixar de trazer convidados superexpostos (artistas globais, por exemplo) e trazer gente com conteúdo inédito, diferenciado e com uma boa história de vida para contar. Fazer as inserções jornalísticas ajudam bastante, mas na medida certa: nada de transformar o programa numa versão estendida do Globo Notícias, senão o foco se perde, por mais que a Fátima Bernardes seja especialista no assunto. Ajustando esses pontos (e trocando o cenário o quanto antes), o Encontro com Fátima Bernardes tem tudo para fazer jus ao apelido que lhe deram antes da estréia: o de Oprah Winfrey Show tupiniquim.

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