A parte II do post Loira Peituda, quem leu a parte I sabe: em muito se difere da primeira.

Cerveja

Trata-se de uma conversa que tive com meu caríssimo amigo – tudo bem, o cara é barato, uma cerveja tu compra ele – Thiago. Em um bar, regado a muita cerveja – tá certo, admito, era uma lanchonete e só ele tava bebendo um pouco – conversamos sobre o que faz as pessoas beberem. Perguntei a ele se ele gostava do sabor da cachaça, da cerveja, do whisky e ele disse que não. Que a maioria das pessoas que bebem (eu não bebo) bebe apenas pelo efeito, pois, pelo sabor apenas, optariam por um refrigerante ou um suco. Pois bem…

A conversa tomou novos contornos quando veio à discussão a questão da identidade. E é claro! As pessoas não bebem pelo gosto, nem só pelo efeito, mas principalmente para compor sua identidade, seu status perante os demais. Por que sempre dizem um “Esse cara lá bebe nada!” para quem não bebe. Traduzindo, eles afirmam que a masculinidade do pobre lúcido pobre é afetada por seu não-gosto pelo álcool. Cerveja é masculinidade, é sexo, é mulher gostosa, é… ‘loira’. Uh! É amizade e bom humor também, mas sempre circundando um assunto principal. Adivinha qual.

Naturalmente é a publicidade quem construiu essa imagem, não é? Claro que não. Vem das antigas tabernas européias. A publicidade só reforça e mantém. E esse não é um privilégio só do Brasil não. Veja só essas propagandas gringas:

Mas é possível que alguma cerveja mude isso. A Kaiser tentou trazendo uma campanha muito interessante, mas o ímpeto brasileiro mandou o baixinho (da Kaiser) voltar e, dessa vez, cheio de mulheres gostosas. Um garanhão de um metro e meio, bigodudo, careca na casa dos 5.0. Um cervejaria que mantém sua marca distante do batido estereótipo é a Budweiser. Sempre o bom humor é o mote das campanhas que, cá pra nós, são sempre sucesso de público. Aí vai uma prova de que podemos fazer diferente e ter resultado.

E, falando em loira, não vamos resistir. Aí vão duas tirinhas com piadas de loiras. Sem preconceito, claro, só em nome do bom humor.

Piada de Loira I

Piada de Loira II

Tive uma surpresa quase orgásmica ao tomar conhecimento do novo embate da Prefeitura de Fortaleza. A loira – Luizianne Lins – peitou o ex-imperador da Província do Ceará nas duas décadas anteriores, o atual Senador Tasso Jereissati – desculpe-me o termo grosseiro.

Cocó - Iguatemi

A discussão recente vem de longe. Vem da época em que o ‘ex-celentíssimo’ era ‘desgovernador’ do Estado, detentor de largas terras na ‘far far away’ região desvalorizada do Bairro Água Fria. Com o poder dando papinha para o dinheiro, o então quase falido ‘governador’ concedeu a si mesmo o direito de desbravar o Cocó – área de proteção ambiental de mata fechada e manguezal dentro da cidade de Fortaleza – construindo uma avenida que o cruzasse ao meio e, exatamente ao meio do Parque Cocó, o Palácio Iguatemi. Veja só o que a atual gerente corporativa, Natália Jereissati, afirmou tentando converter o absurdo em ponto positivo para a imagem do Grupo:

‘A própria construção foi um desafio, porque o local era, à época, inóspito, em um bairro ainda praticamente desconhecido, longe do Centro’, destacou a gerente. Além da distância, frisou a diretora do Grupo Jereissati, Ilia Freitas, o Iguatemi quebrou paradigmas, enfrentou o preconceito de se fazer comércio em locais fechados e inovou. Reuniu em um só lugar o comércio, entretenimento, lazer e a prestação de serviços privados, públicos e comunitários.

São ‘300 lojas, 5.234 empregos, uma verdadeira cidade, 10,3 milhões de Kwh por ano e 60 mil visitantes por dia’. Tudo dentro de uma área de preservação ambiental.

Iguatemi FortalezaHoje, o Shopping comemora seus 25 anos pretendendo construir a Torre Empresarial Jereissati, o Iguatemi Empresarial. A nova empreitada imobiliária, empreendimento do Grupo Jereissati que já vendeu mais de 75% de suas 198 unidades, com campanha publicitária criada pela Ágil Comunicação e o conceito “Iguatemi Empresarial – Prático, Sofisticado e Inteligente”, tem projeto de construção ao lado do Shopping de mesmo nome – e dono – ? s margens do Rio Cocó, portanto dentro do Parque Cocó, entretanto, dessa vez, com Estado (Cid Gomes) e Município (Luizianne Lins) governados pelo partido oposto, o PT.

Não trago uma discussão partidária, até porque não sou filiado a nenhum. Apoio ou discordo apenas de decisões, não de partidos.

O fato é que a Prefeitura, afirmando ‘clamor público’- devido a ações da ong SOS Cocó e outras mobilizações (como esta) – solicitou um referendo ? Câmara Municipal para dar ao povo o direito de decidir se a obra deve ser construída naquele local ou embargada. Obviamente, a disputa tornou-se essencialmente política – ou surgiu como tal – entre os aliados do ex-celentíssimo (Pêessedêbistas e demais interessados) tentando derrubar o referendo e os aliados da ‘direita canhota’ lutando para levá-la a frente.

Para além das questões burrocráticas do sistema político brasileiro, independendo se o referendo está sendo posto de forma errônea ou não, se essa é ou não área de preservação ambiental, se órgãos já lhe deram licença ambiental, se isto se trata ou não de uma vulgarização do instituto ‘referendo’ (banalização da democracia? tsc tsc), ou até mesmo se o ‘querido’ procurador Oscar Costa Filho desconhece estrategicamente que o tal ‘Estado democrático’, citado por ele mesmo em entrevista em referência ? atual gestão política de nosso Estado, já não é aquele jogo carteado em que o ‘Zap’ esteve sempre na manga do ex-celentíssimo Sr. Jereissati; questiono um fator mais relevante:

A população da cidade de Fortaleza não tem o direito de decidir se quer ou não a construção de uma obra em determinada área?

Iguatemi Empresarial“No fundo, o procurador (Oscar Costa Filho) está defendendo que a população não seja ouvida”, disse o vereador Guilherme Sampaio (PT). E é isso mesmo. Se o referendo pode custar R$1.000.000,00 aos cofres públicos (e olha que o vereador Tim Gomes, presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, afirmou que nenhum dinheiro público vai ser utilizado), quanto não já perdemos em valores não financeiros com a tirania das gestões anteriores? A tirania precisa cair sim. O referendo talvez não seja necessário. Concordo que o investimento poderia ser melhor destinado, mas a democracia urra incumbido pelo marketing da gestão.

Que a prefeitura tem várias outras responsabilidades, é inquestionável, mas esse ato é necessário sob minha visão. Não devemos fechar os olhos para os demais problemas da cidade – e esse fato não deve impedir – mas louvar atitudes benéficas para a cidade ou mesmo para o planeta.

A questão não é se a obra deve ou não ser levada em frente, como deve estar claro, mas onde deve ser construído.

Hoje, as terras da ‘far far away’ Água Fria são uma das regiões mais valorizadas da cidade, o Parque Cocó perdeu grande parte de seu verde, o ex-celentíssimo está muito rico e o Shopping Iguatemi agora parte do Parque Cocó para o Pantanal, para Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul. Serão 40 hectares, 35 mil metros quadrados de área bruta locável.

Pantanal


‘Campo Grande é o retrato de Fortaleza de 25 anos atrás, com população de 768 mil habitantes, embora apresente indicadores econômicos superiores ao de Fortaleza’, citou Natalia ao apontar semelhanças do novo empreendimento com o Iguatemi. ‘Estamos na fase de projetos, as obras começam em dez meses’, projetou.

Agora é esperar para ver. Ou melhor, é lutar para não vê-lo.

Ah! E para quem esperava ver propaganda de cerveja ao ler o título do post, confira a Parte II muito em breve.

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Simples e memoráveis. É assim que temos certeza que uma propaganda e um jingle são geniais.

MasterCard

Graças ao leitor Viick (obrigado!), que no enviou o vídeo da propaganda que gostaríamos, postamos aqui o vídeo específico de uma de minhas campanhas preferidas. Segue o vídeo e a letra da música:

Mochila, lancheira, uniforme, calcinha,
um pé de cada meia, agasalho, shampoo. Sabonete, patinho,
banheira, espuma, cabelo, talquinho, toalha, roupão,
roupãozinho, pijama, pantufa. Abre a boca e fecha os olhos,
outra colherada, historinha, um beijo, coberta, bom sono e
dorme…

Shhhhhhhhhhhh…

É parte de uma das mais geniais campanhas da história da publicidade. A “Priceless”, criada pela McCann Erickson para a MasterCard. Ela mesma, a “não tem preço”, reproduzida aqui no Brasil.

Na falta de um vídeo genial, vejamos então outro vídeo construído sobre um jingle. Também simples e memorável. A clássica propaganda da Honda:

Assistindo ao estranho Jornal do SBT com Cíntia Benini e Carlos Nascimento em uma dessas quase madrugadas em que os demais canais de TV aberta transmitem seriados toscos, pseudo-cultura 100% inútil ou histórias de crimes – o que não me atrai de forma alguma, visto que isso já é tão corriqueiro em nossas vidas – assisti a um ‘quadro’ que ao mesmo tempo em que um passo é dado, por menor que seja, em direção à democratização midiática, revolta pela constatação conclusiva apresentada nesse artigo. O que trago a discussão nesse instante, entretanto, não é a democracia, mas a questão que motivou os apresentadores a buscarem as opiniões de 10 telespectadores ao vivo.

O que nós quer é moleza

“Até próxima segunda-feira, 21 de maio de 2007, todos os radares deverão estar, por lei, sinalizados, alertando os motoristas de sua presença. Você concorda?”

O que me assusta – tudo bem, não mais me assusta pois como publicitário devo buscar conhecer a identidade do povo – não é a “porcentagem” da pesquisa de 60% – 6 dos 10 entrevistados, tsc – apoiarem a lei e concordarem que “SIM, os motoristas devem ser alertados”. O buraco é mais em baixo.

Acompanhe meu raciocínio. É lei que @ brasileir@ civilizad@ não pode ultrapassar o limite de velocidade estabelecido nas estradas e rodovias brasileiras. Se não podemos ultrapassar o limite, devemos trafegar no máximo naquela velocidade. Se ultrapassarmos, temos consciência de que seremos multados, concorda?

Ok. Não vou fazer uma pesquisa. É quase um silogismo, mas funciona.

Se todos sabemos que o correto é não ultrapassar a velocidade máxima estabelecida e sabemos que deveremos ser multados caso o façamos, pra que alertar-nos que seremos vigiados a seguir? Um dos entrevistados trouxe uma comparação muito interessante:

“É como se a polícia avisasse aos traficantes que vai estourar uma boca”.

Muito bom, não? Agora me diz se não é muita cara-de-pau uma mulher dizer em rede nacional um “eu sei que o correto é não avisar porque nós já sabemos, mas, como mexe no nosso bolso, eu acho que deve ser sinalizado sim!” Eu não acreditei que ouvi isso apesar de toda a obviedade natural do brasileiro.

Tenta-se justificar com a dificuldade financeira do povo ou com o argumento de que as empresas que regem a tal “indústria da multa” mergulham no mar da corrupção com direito até a bote salva-vidas, mas, desculpe-me, não dá. O brasileiro é folgado mesmo. O que é certo é quase consenso geral da nação, mas a malandragem fala mais alto. Os interesses gritam disputando um ouvido ‘real’ na bodega do Brasil. E aí me pergunto: É esse o exemplo que nós damos para nossos ‘políticos’?

Cabe muito bem, aqui, o trecho de uma música de Gabriel, o Pensador, a Retrato de um Playboy: “Somos todos merdas dentro da mesma privada”. Desculpa. Peguei pesado. Ou não?

Falando nisso…

OPovo: Radares escondidos estão proibidos a partir de hoje

Diário do Nordeste: Radar oculto proibido a partir de hoje

Folha de São Paulo: Denatran estabelece que radares sejam sinalizados a partir de hoje

Bom dia Sorocaba: Multa de radar escondido perde validade na segunda-feira

Nova mania da Web.
Sósia anã trash da Britney Spears.