Depois de muita gritaria e reclamação, principalmente por parte da poderosa FA (Football Association) da Inglaterra, a FIFA e o seu órgão que regulamenta as modificações nas regras do futebol, a International Boarding, se curvaram ao avanço tecnológico visto em todos os esportes de massa e decidiram implantar, a partir do Mundial de Clubes da FIFA de 2012, no Japão, a chamada bola com chip. É o primeiro passo (tímido, é verdade) para que o futebol profissional e de alto nível finalmente deixe para trás o século XIX, época no qual foi inventado.

Futebol implanta com bola com chip

A discussão sobre a adoção de um sistema eletrônico de alta precisão para dirimir as dúvida sobre a entrada ou não da bola no gol ganhou mais força da depos da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. Nas quartas-de-final entre Inglaterra e Alemanha, o English Team foi claramente prejudicado pela não marcação de um gol legítimo de Lampard, quando o jogo ainda estava empatado em 1 a 1 (a Inglaterra acabaria derrotada por 4 a 2). O fato é que as autoridades futebolísticas mundiais estavam levando em banho-maria a questão, até que chegou a Eurocopa 2012 e o lance voltou a acontecer, ironicamnete a favor da Inglaterra, no último jogo da fase de grupos, contra a Ucrânia. Mal acabou o torneio europeu, a FIFA anunciou a utilização da bola com chip no Mundial de Clubes de 2012 no Japão, ainda em caráter experimental, extendendo seu uso também para a Copa das Confederações no Brasil em 2013 e na Copa do Mundo no Brasil em 2014.

O sistema anunciado funciona de forma fácil de entender: um conjunto de sensores colocados em cada baliza identifica se a bola, equipada com chips e transmissores de rádio, ultrapassou totalmente a linha de gol, sinalizando ao árbitro através de um receptor em forma de relógio de pulso. Cada sistema implantado no estádio tem um custo variando de 150 mil a 250 mil dólares, mas esse valor pode cair à medida que o sistema for aprovado e popularizado.

Futebol, o mais atrasado dos esportes?

Agora você faz uma comparação com outros esportes e vê como o futebol é atrasado em relação a todos os outros esportes de alto rendimento do mundo, não apenas na aplicação da tecnologia em favor do espetáculo como também em relação a suas próprias regras. A bola com chip é sem dúvida um avanço, mas ainda pouco para compensar o atraso do futebol em relação a outros esportes praticados com bola. Senão vejamos:

O vôlei conta com 2 árbitros na rede mais 4 fiscais de linha, cobrindo um campo de jogo bem menor que um campo de futebol;

O tênis tem o árbitro de rede, uma equipe de fiscais de linha e os torneios maiores ainda possibiltam a revisão de jogadas duvidosas através de replays gravados num sistema dedicado ao jogo;

O futebol americano tem praticamente o mesmo número de árbitros em cada jogo que jogadores em campo de um time e ainda se vale de replays em tempo real para solucionar jogadas duvidosas.

Tanto o basquete como o futsal, apesar de serem esportes de quadra, são conduzidos por dois árbitros, cujas decisões tem o mesmo peso e diminuem a incidência de erros.

Sugestões para fazer do futebol mais atraente

Poderia ficar citando esportes mais evoluídos nesse campo que o futebol, mas isso demandaria a feitura de um tratado. A resistência da FIFA em adotar novas tecnologias e tornar o futebol menos dependente do fator interpretação dos árbitros é a razão apontada pelos fãs de futebol para que este seja tão mágico, onde o acaso pode resolver uma partida e dar (ou tirar) até uma Copa do Mundo. Mas penso que isso deva mudar. Até tenho algumas sugestões para mudanças das regras do futebol, que o tornariam muito mais atraente e dinâmico e poderiam ser adotadas sem problemas no principais campeonatos do mundo:

  • Os dois tempos do jogo teriam 30 minutos, com cronômentro parado a cada interrupção do jogo (impedimento, lateral, faltas, tiros de meta, etc).
  • Pelo menos 2 árbitros cobrindo todo o campo de jogo, para decisões mais rápidas e livres de ‘interpretações’.
  • Número de substituições ilimitadas.
  • Controle no número de faltas: limite de 10 faltas cometidas por cada time em cada tempo.
  • Todo jogador que cometer 3 faltas num tempo é excluído da partida.

Com essas regras, o futebol se tornaria menos dependente de decisões equivocadas do árbitro, como por exemplo o absurdo de definir, no achômetro, quantos minutos de acréscimo devem ser adicionados ao fim de cada tempo. São só algumas sugestões muito particulares de minha pessoa para tirar o futebol desse marasmo técnico, mas se você tiver algo mais a acrescentar, por favor, nos conte.

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