Não há dúvidas que o MMA chegou para valer no Brasil, vide o sucesso do UFC, seu maior evento, junto ao público brasileiro. O trabalho intenso de divulgação na mídia, sobretudo com a transmissão dos principais eventos e a produção de um reality show (The Ultimate Fighter – TUF Brasil) pela Rede Globo foram fatore determinantes para que o grande público tomasse conhecimento do universo das artes marciais mistas e seus lutadores, elevados à condição de heróis nacionais e gladiadores do terceiro milênio. Entretanto, um aspecto da promoção do MMA no Brasil é deveras preocupante: a associação de lutadores com clubes de futebol brasileiros, o que pode levar rivalidade históricas para dentro do octógono.

Futebol e MMA: Uma mistura explosiva

Não se sabe até que ponto esse tipo de promoção pode ser benéfica para o MMA e seus lutadores. O fato de um clube patrocinar um lutador, do ponto de vista exclusivamente do marketing, é uma boa jogada, pois pega carona no sucesso imenso da modalidade, como pode ser visto nos números de audiência dos eventos na televisão e do comparecimento em massa de público nas arenas, mesmo com ingressos a preços exorbitantes. Mas vendo o histórico de violência das torcidas no Brasil, em especial as ditas organizadas, essa associação futebol-MMA pode resultar num tiro saindo pela culatra.

Corinthians x Palmeiras no octógono

Tudo começou quando o Anderson Silva começou a ser patrocinado pelo Corinthians. A partir de então, vendo o sucesso da parceria, os departamentos de futebol dos clubes correram como loucos para imitar a ação corintiana e associar o nome dos clubes a algum lutador do UFC. Até lutadores gringos entraram na onda: Chael Sonnen, desafeto declarado de Anderson Silva, recebeu de presente uma camisa do Palmeiras e, em troca, declarou em diversos vídeos seu ‘amor incondicional’ pelo clube alviverde brasileiro. Considerando que Sonnen não deve sequer saber chutar uma bola de futebol, está na cara tratar-se muito mais de uma jogada de marketing para promover a dupla de clubes paulistas em cima do MMA.

MMA não tem espaço para torcidas organizadas

Temo, seriamente, que as rivalidades das torcidas cheguem ao MMA. Por mais que as pessoas envolvidas no mundo das lutas falem do profissionalismo reinante na modalidade, o torcedor médio brasileiro ainda não tem o discernimento (ou a educação) de enxergar que o MMA não é a válvula de escape de suas frustrações futebolísticas, como se torcer para determinado lutador que carrega as cores de seu time lhe desse aval para sair brigando com torcedores rivais de outros times. Se no Brasil as torcidas brigam pelos motivos mais estapafúrdios, imagina o que pode acontecer quando eles misturarem (sim, eles farão isso) MMA com futebol, achando ser normal sair brigando por aí só porque seu ídolo no MMA veste a mesma camisa de futebol que ele.

Por enquanto, nenhum episódio mais sério a esse respeito foi registrado, mas antes de algo acontecer, penso que os departamentos de marketing dos clubes pegassem mais leve nessa estratégia. Queiram ou não, alguns torcedores mais exaltados podem levar declarações mais polêmicas ao pé da letra e envolver-se em brigas, manchando a reputação do clube e do MMA. Um pouco de parcimônia na hora de fazer essas parcerias não fariam mal algum e só contribuiria para deixar o clima um pouco menos explosivo.

Veja na listagem abaixo os clubes de futebol para os quais alguns dos principais lutadores brasileiros de MMA torcem ou tem algum tipo de parceria:

  • Anderson Silva – Corinthians
  • Vitor Belfort – Flamengo
  • Rodrigo Minotauro – Vasco da Gama
  • Edson Barboza – Botafogo
  • Fabrício Werdum – Grêmio
  • Maurício Shogun – Coritiba
  • Demian Maia – São Paulo
  • José Aldo – Flamengo
  • Rogério Minotouro – Vasco
  • Erick Silva – Botafogo
  • Lyoto Machida – Paysandu
  • Wanderlei Silva – Coritiba

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