Perfume Perfume

Definitivamente, o filme Perfume: A história de um assino” causa uma estranha sensação ao espectador. Tudo bem que o filme tem uma (pouca) iluminação espetacular, uma atuação brilhante de Ben Whishaw como o pro(anta)tagonista Jean-Baptiste Grenouille – e, como denuncia o nome do protagonista, se passa em Paris – e um ‘roteiro’ bastante interessante, bem amarrado. Lembra até um pouco de Dostoiévski e Franz Kafka, mas com um pouco mais de pé no chão.

Dirigida por Tom Tykwer, a obra, adaptada do livro de mesmo nome – do autor Patrick Süskind – com participação de Dustin Hoffman, trabalha com o sentido humano menos explorado em todas as mídias. Obviamente, o olfato.

Em um livro, que constrói histórias apenas com o verbo, é mais fácil trabalhar com os sentidos, seja qual for, pois eles serão utilizados no âmbito da imaginação. Até o impossível se cria com um jogo de palavras. E pode parecer extremamente real, ou, nas mesmas proporções, fantástico.

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Já no cinema, a imaginação é podada pelas imagens em seqüência e pelo áudio. Ou não. A criatividade poderia trazer o olfato diferente do já criado e repetido principalmente em propagandas de cosméticos.

O filme não deveria se chamar Perfume, mas sim ‘Desodorante’. Em uma cena o verbo põe as asas de fora, mas a seqüência adiante revela a propaganda da Axe, ou pior, do Avanço. ‘Com Avanço, elas avançam’. :S Revela a orgia no paraíso.

Interessante. Assistir Perfume é como ouvir Rádio – com excessão das músicas. Só a imaginação pode suprir a deficiência da mídia. Por mais que as imagens queiram podar a imaginação, só ela pode trazer os aromas do filme.

1 comentário

  1. Ricardo Gadelha
    25/06/2007 às 12:34 am [+]

    Continuo achando esse filme baseado em uma história real..
    dez!